Noutras partes está o desespero:
E vem silencioso como gato.
-Quem te disse que isto é teu?
Tudo é do mundo, tudo é de ninguém!
Não sou teu, e tu não és gato!
Só desabo quando estou só...
Quando estou só, então eu desabo.
Noutras partes está o riso:
Vem tímido como o misantropo,
Sai abafado e pouco espontâneo
Pela miríade de desditas insossas
Não rio assim, só os loucos riem de fato
Só rio quando não estou bem,
Quando rio não estou remediado.
Noutras partes está o medo:
Chega de chofre, qual o raio que parte em dois o carvalho,
Destrói, aniquila e degenera,
Impede todo o tipo de liberdade.
Não tenho medo de ser assim,
Só tenho medo de sentir medo,
Quando estou comigo mesmo é que estou amedrontado.
Noutras partes está a dor:
Esta está, e sempre esteve
É como o coração que bate,
E o câncer que dorme, tão tenro...
Não me dói tanto, só me dói quando penso
Só a dor abre meus olhos
Quando me dói, é por ter eu pensado.
Noutra parte está a mentira...
Melhor dizendo, em toda parte.
É como arma que falha, mas funciona de quando em quando
Minto descaradamente para mim mesmo
E faço com que eu mesmo acredite que sou
Tão interessante quanto estou sendo agora, mesmo não o sendo
Quando minto estou quase esgotado.
Noutras partes está o amor
Está...?
31-07-11
domingo, 31 de julho de 2011
Agora
Estou irremediavelmente feliz!
Mas temo ser só agora.
Nunca dura por muito tempo, sabes?
Nunca durou, tenho de o dizer.
Problema é que não sei dar por isso
Quando vejo, já passou
Mas agora estou feliz,
Feliz e nem sei o porquê...
Que fique então gravado este momento irracional
Para a posteridade de meus lamentos diários.
E amanhã, ao anoitecer, quando quiser me matar,
Lembrarei de hoje e vou sorrir c'o canto da boca
Mas o agora é que me importa!
Vivo-o como vivo. Agora!
Feliz como nunca antes estive!
Irremediavelmente feliz!
31-07-11
Mas temo ser só agora.
Nunca dura por muito tempo, sabes?
Nunca durou, tenho de o dizer.
Problema é que não sei dar por isso
Quando vejo, já passou
Mas agora estou feliz,
Feliz e nem sei o porquê...
Que fique então gravado este momento irracional
Para a posteridade de meus lamentos diários.
E amanhã, ao anoitecer, quando quiser me matar,
Lembrarei de hoje e vou sorrir c'o canto da boca
Mas o agora é que me importa!
Vivo-o como vivo. Agora!
Feliz como nunca antes estive!
Irremediavelmente feliz!
31-07-11
Adeus, Ricardo Reis!
Quem te disse que assim é o mundo?
O mundo não se diz a ninguém
Nós outros é que dizemos o mundo
Por nós é que ele está dito
Pois só a nós interessa
Dizer o que aí já está
Dizer a nós mesmos o que dizemos ao mundo
Mas o mundo é isso: pérolas e porcos.
Digam-no os deuses, que a nós nos vigiam
E riem de nós por querer dizer muito
Do mundo desdito que nós já dizemos
Sem dizer que não basta somente dizê-lo
Nos falta fazê-lo.
Beija-me, Lídia...
31-07-11
O mundo não se diz a ninguém
Nós outros é que dizemos o mundo
Por nós é que ele está dito
Pois só a nós interessa
Dizer o que aí já está
Dizer a nós mesmos o que dizemos ao mundo
Mas o mundo é isso: pérolas e porcos.
Digam-no os deuses, que a nós nos vigiam
E riem de nós por querer dizer muito
Do mundo desdito que nós já dizemos
Sem dizer que não basta somente dizê-lo
Nos falta fazê-lo.
Beija-me, Lídia...
31-07-11
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Do filósofo da má-fé
Como pode um homem maduro e de barbas se dar o trabalho de fazer uma coisa dessas comigo? Sempre pensei que o mais assisado a fazer fosse não se queixar tanto e deixar que o mal acontecesse por si só, como é próprio na ordem natural das coisas. Mas me vem este velho estrábico e me fala de má-fé e me põe nas costas o peso de toda a desgraça que tenho e que não tenho, que sinto e que virei a sentir, e, como se não bastasse, mui comedidamente lhe agradeço, porém já dando-lhe logo depois os mil louvores e âmens por aumentar ainda mais a angústia e me envergar ainda mais minha coluna, já tão enviesada.
Não merece perdão este homem por ter, até os tutanos, o altivo pedantismo de ter a mim arrancado violentamente do limbo, onde eu era uma pobre e inocente vítima de olhos brilhantes, e me lançar desprotegido neste tártarto de culposidade, de errores e de faltas gravíssimas, me esfregando nas fuças que tudo isto tem como único causador e responsável ninguém menos que eu mesmo.
Por fim a este homem, depois de ter incutido em minha mente que sou o vilão da história, que tenho toda a culpa no cartório, que sou eu e não outro o responsável pelo sim e pelo não do status quo, como já hei dito, agradeço, nem mesmo sei por que o faço, mas o agradeço mesmo assim, e com agradecimentos mui sinceros e até mesmo copiosos, pois, ao mesmo tempo que me fez ver com os próprios olhos que vivo no inferno desde que fui engendrado, igualmente me fez ver que sou, ao mesmo tempo, um homem livre, e a ser livre estou condenado enquanto conservar-me com vida. Ser livre: este é o preço que estou pagando por descobrir a verdade deste inferno. Estou repleto é de má-fé!
29-07-11
Orfeu e Eurídice
Aos mortos desce Orfeu,
A lira nada vale,
Calou-se o canto seu,
Que a Hades então fale.
E os pássaros e os regos,
Lamentam que ele pare,
C'os versos que lhos deu,
E morto agora cale.
Ligados pelo apego,
Pranteiam pois morreu,
Eurídice e seu par,
Mas tornam a se amar,
Já mortos, ela e Orfeu.
29-10-11
A lira nada vale,
Calou-se o canto seu,
Que a Hades então fale.
E os pássaros e os regos,
Lamentam que ele pare,
C'os versos que lhos deu,
E morto agora cale.
Ligados pelo apego,
Pranteiam pois morreu,
Eurídice e seu par,
Mas tornam a se amar,
Já mortos, ela e Orfeu.
29-10-11
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Eu era um Meursault juvenil
Te decepcionei, não foi?
Sempre faço isso, deverias saber.
Se decepcionei a ti, peço desculpas...
(não sei se são sinceras, provavelmente não são)
Faço somente o que está ao meu alcance
mas faço-o porcamente...
Como tudo o que faço, pois
não ponho amor nas coisas que faço
nem nas pessoas - que se fazem sem que eu as faça.
Mas quando eu tiver algum amor,
quem sabe...
Me disseram que sou um Meursault juvenil
Estou quase acreditando nesta história
Tu deverias fazer o mesmo.
22-07-11
Sempre faço isso, deverias saber.
Se decepcionei a ti, peço desculpas...
(não sei se são sinceras, provavelmente não são)
Faço somente o que está ao meu alcance
mas faço-o porcamente...
Como tudo o que faço, pois
não ponho amor nas coisas que faço
nem nas pessoas - que se fazem sem que eu as faça.
Mas quando eu tiver algum amor,
quem sabe...
Me disseram que sou um Meursault juvenil
Estou quase acreditando nesta história
Tu deverias fazer o mesmo.
22-07-11
quinta-feira, 21 de julho de 2011
à-propos
Pergunta-me o que é viver e dir-te-ei que é não saber
Não é a vida certa, como a morte, nem se sabe se é tão viva
E sou tão novo pra sabê-la, sou tão homem pra vivê-la
Nunca desci tão baixo, nunca dormi tão forte, nunca fui sempre, sempre fui nunca...
Mas sempre digo nunca, e nunca sou o que digo ser, mas não sei se é assim sempre.
Será mesmo isso?
Não sei, só sei que vivo,
E viver é não saber.
21-07-11
Não é a vida certa, como a morte, nem se sabe se é tão viva
E sou tão novo pra sabê-la, sou tão homem pra vivê-la
Nunca desci tão baixo, nunca dormi tão forte, nunca fui sempre, sempre fui nunca...
Mas sempre digo nunca, e nunca sou o que digo ser, mas não sei se é assim sempre.
Será mesmo isso?
Não sei, só sei que vivo,
E viver é não saber.
21-07-11
terça-feira, 19 de julho de 2011
Objecto quase
Muito bem! cala-te que ouvir-te eu não mais quero
Demais m'irrita este teu ar de quero mais
Mui me desgasta, este colóquio e me desfaz...
O meu desdém, e o teu também, é o mais qu'espero
(mas tanto faz)
Quero alhear-me do que é teu, do mundo austero
descer do altar ao conjurar-me sem ter fé
Desejo um mundo onde só eu sozinho impero
Ser mais por mim que por alguém que meu nem é
(e nem o quero)
Mas não me adianto, não me lanço no projecto
e circunspecto estou deixando agora o altar
Bem mais que um homem, sou eu bem mais, quase objecto
E me persigno - é meu prazer me persignar.
(e com mais plectro)
Agora danem-se, meus bons samaritanos!
A vós vos dou vosso Sansão e os filisteus...
Guardai-os bem pois vou-me embora e sem mais planos
Minhas verdades são só minhas, planos meus.
(dirão os anos)
19-07-11
Demais m'irrita este teu ar de quero mais
Mui me desgasta, este colóquio e me desfaz...
O meu desdém, e o teu também, é o mais qu'espero
(mas tanto faz)
Quero alhear-me do que é teu, do mundo austero
descer do altar ao conjurar-me sem ter fé
Desejo um mundo onde só eu sozinho impero
Ser mais por mim que por alguém que meu nem é
(e nem o quero)
Mas não me adianto, não me lanço no projecto
e circunspecto estou deixando agora o altar
Bem mais que um homem, sou eu bem mais, quase objecto
E me persigno - é meu prazer me persignar.
(e com mais plectro)
Agora danem-se, meus bons samaritanos!
A vós vos dou vosso Sansão e os filisteus...
Guardai-os bem pois vou-me embora e sem mais planos
Minhas verdades são só minhas, planos meus.
(dirão os anos)
19-07-11
Stà fermo
É coisa de ser vivente
Viver até que se morra
Por mais que o tempo não corra
Morrer se espera somente
E vive o ser já dormente
Fingindo ao mundo de envolta
Que bem está, segue em frente
Por dentro a hera lhe abrota
Librando o exíguo que há
'steve ele aqui? pouco importa
estando ou 'stado, não 'stá.
17-07-11
Viver até que se morra
Por mais que o tempo não corra
Morrer se espera somente
E vive o ser já dormente
Fingindo ao mundo de envolta
Que bem está, segue em frente
Por dentro a hera lhe abrota
Librando o exíguo que há
'steve ele aqui? pouco importa
estando ou 'stado, não 'stá.
17-07-11
sábado, 9 de julho de 2011
Tratado pós-moderno de antissocialização
No mundo pós-moderno de jovens pós-modernos
É proibido fazer com as próprias mãos,
É proibido ser feliz,
É proibido acreditar em qualquer coisa,
É proibido projetar o futuro,
É proibido saber onde se está,
Quem se é e para onde se vai,
Ou sorrir cortesmente ou espontaneamente.
Nem consegui-lo, aliás, é permitido.
Mas ama-se superficialmente sem amar
Obriga-se o desgostoso a mais gostar
Toma-se remédios verdes e brilhantes
Cápsulas amargas que entalam na garganta
Em caixas verde-e-brancas ou em tubos laranja-translúcidos
Onde se lê em letras pretas bonitas e graúdas:
fluoxetina 20mg
E dorme-se uma tarde inteira como pedra
Dispensa-se todo o tipo de socialização
E sente-se milagrosamente melhor depois de acordar
Feliz! pode-se rir de tudo e todos.
Belo manjar pós-moderno...
A panaceia em suas vinte miligramas!
Sou um homem pós-moderno e feliz!
Mesmo sem fazer por merecer
Os louros pós-modernos da áurea juventude.
09-07-11
É proibido fazer com as próprias mãos,
É proibido ser feliz,
É proibido acreditar em qualquer coisa,
É proibido projetar o futuro,
É proibido saber onde se está,
Quem se é e para onde se vai,
Ou sorrir cortesmente ou espontaneamente.
Nem consegui-lo, aliás, é permitido.
Mas ama-se superficialmente sem amar
Obriga-se o desgostoso a mais gostar
Toma-se remédios verdes e brilhantes
Cápsulas amargas que entalam na garganta
Em caixas verde-e-brancas ou em tubos laranja-translúcidos
Onde se lê em letras pretas bonitas e graúdas:
fluoxetina 20mg
E dorme-se uma tarde inteira como pedra
Dispensa-se todo o tipo de socialização
E sente-se milagrosamente melhor depois de acordar
Feliz! pode-se rir de tudo e todos.
Belo manjar pós-moderno...
A panaceia em suas vinte miligramas!
Sou um homem pós-moderno e feliz!
Mesmo sem fazer por merecer
Os louros pós-modernos da áurea juventude.
09-07-11
quarta-feira, 6 de julho de 2011
A flor do passado
Eventualmente viremos aqui
E aqui falaremos da flor, do passado,
Do estado das coisas, do vi ou não vi,
Da morte que encerra este assunto escusado.
Será necessário pra sempre voltar
Já que nos dizem: 'Recordar é viver'
Mas mata e maltrata bem mais o lembrar
e este lembrar só nos faz mais morrer.
Não há mais o que dar, só resta partir
E assim apartados podemos viver
Mas não vale chorar, tampouco insistir
Viviamos a vida e deixemos morrer...
jun. 2011.
E aqui falaremos da flor, do passado,
Do estado das coisas, do vi ou não vi,
Da morte que encerra este assunto escusado.
Será necessário pra sempre voltar
Já que nos dizem: 'Recordar é viver'
Mas mata e maltrata bem mais o lembrar
e este lembrar só nos faz mais morrer.
Não há mais o que dar, só resta partir
E assim apartados podemos viver
Mas não vale chorar, tampouco insistir
Viviamos a vida e deixemos morrer...
jun. 2011.
terça-feira, 5 de julho de 2011
(area non ædificandi )
Quero sempre evitar o agradável
E evito desse modo a decepção.
Dentro do espelho eu, a imagem, vejo o eu real
que não sabe que decepcionar-se faz parte,
que o consolo é saber que outras coisas aí vêm
(bem piores) e esta decepção não é a última.
Que os homens maus dormem bem à noite,
e os indiferentes dormem, se for o caso.
O caso de dormirem (de dormirem por acaso).
Evito sempre pensar em dormir.
Mas não me agrada saber que não durmo
quando penso em fazê-lo.
Evitando o agradável evito igualmente
o mal-estar de não ter o que fazer depois de satisfazer a vontade.
Não me agrada simplesmente.
Então evito.
Mas não faças isso que eu faço, adstante febre!
À custa de tudo isso, pesam-me as costas
À custa de tudo isso, caem as paredes
Mas não faças isso que eu faço, hic et nunc!
Evitar o agradável, mais que mortificar-se,
é mortificar-se duas vezes, digam-no os céus!
Viver, se já o é, não requer mais um reforço...
'Está tudo aí' - dizem - 'É tão claro como água!'
Mas nada é claro como água depois de n'água dar-se com os burros...
Bom que nada seja aqui plantado, tampouco erguido.
05-07-11
E evito desse modo a decepção.
Dentro do espelho eu, a imagem, vejo o eu real
que não sabe que decepcionar-se faz parte,
que o consolo é saber que outras coisas aí vêm
(bem piores) e esta decepção não é a última.
Que os homens maus dormem bem à noite,
e os indiferentes dormem, se for o caso.
O caso de dormirem (de dormirem por acaso).
Evito sempre pensar em dormir.
Mas não me agrada saber que não durmo
quando penso em fazê-lo.
Evitando o agradável evito igualmente
o mal-estar de não ter o que fazer depois de satisfazer a vontade.
Não me agrada simplesmente.
Então evito.
Mas não faças isso que eu faço, adstante febre!
À custa de tudo isso, pesam-me as costas
À custa de tudo isso, caem as paredes
Mas não faças isso que eu faço, hic et nunc!
Evitar o agradável, mais que mortificar-se,
é mortificar-se duas vezes, digam-no os céus!
Viver, se já o é, não requer mais um reforço...
'Está tudo aí' - dizem - 'É tão claro como água!'
Mas nada é claro como água depois de n'água dar-se com os burros...
Bom que nada seja aqui plantado, tampouco erguido.
05-07-11
sábado, 2 de julho de 2011
Morre-se
Uma coisa interessante e também triste sobre a vida
é que a sua parte mais interessante simplesmente
não se deixa conhecer por parte de quem vive.
E morre-se a tentar encontrá-la, ao menos vislumbrá-la.
Sempre se morre.
Morre-se sempre,
e nada de achá-la.
02-07-11
é que a sua parte mais interessante simplesmente
não se deixa conhecer por parte de quem vive.
E morre-se a tentar encontrá-la, ao menos vislumbrá-la.
Sempre se morre.
Morre-se sempre,
e nada de achá-la.
02-07-11
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Dona-de-casa
Seria preciso ser mais do que isso, meu Deus? Por que será que urge essa necessidade de provocar e de conspurcar o que está, aparentemente, em ordem dentro de mim mesmo? Será suportável essa imbecilidade que impera e que me impele para os mais longínquos confins de meu ser, a qual não tenho por suportável? O que seria preciso fazer ou deixar de fazer para que, plenamente, me fosse dado o direito de me encontrar comigo mesmo sem ter de me despir de meus próprios pensamentos? Por que raios existe esta vontade acessional de desistir, de fugir, de me evadir, de mandar tudo às favas sempre que algo me obstaculiza o caminho? Por que nunca consigo seguir adiante depois de quebrar os dentes com o primeiro tropeço? Que medo de sofrer é este que me prende as pernas e me achincalha aquilo que dantes estava, como sói, em perfeita ordem, pronto para seguir caminho? Não sou tão forte quanto tu desejas, Senhor? Por que não consigo me mostrar digno das graças que recebo ou das mercês que me são feitas, estampando na visagem toda a gratidão e denodo em tentar seguir com o que me propus em levar a cabo? Por que me aferra de forma tão abrupta esta insatisfação que obscurece a boa-vontade ao considerar as coisas e as pessoas de modo que, para me sentir, ao menos, aliviado, tenho que me ver a boa distância de todas elas, evitá-las, mantê-las longe de mim e desprovidas de qualquer tipo de contato? Seria eu uma espécie de demônio que está a completar uma missão no mundo e tem de o fazer na completa solidão requerida para isso? Por que toda esta inexplicável aversão ao convívio com estes que por mim se interessam? Por que esta natureza tão esquiva, arisca, bravia e sub-reptícia que oferece estorvos a todo o tipo de aproximação de quem quer que seja? Por que esta cabeça que não cessa de pensar nas questões mais ínfimas, nos pormenores mais desimportantes, nas situações mais desagradáveis, nas formas mais complicadas e ininteligíveis de desdizer aquilo que nem sequer foi dito? Por que esta falta de interesse por qualquer coisa que seja, esta ausência de paixões e fixações que, em pessoas normais, redundam no que chamam de razão-de-viver? Por que não posso eu encontrar aquilo que, de fato, me atrai e me apaixona fazendo com que eu descubra que estou hipnotizado e cego não vendo mais nada a minha volta senão aquilo? Por que estas quebras de encanto, por que estas desilusões com as coisas pelas quais acho que me interesso? Por que diabos não me interesso? Por que esta indefinível indiferença por tudo e por todos que não me permite, em nenhum momento, reagir às diferentes situações e sentir o que eu realmente deveria sentir em relação a isto ou aquilo? Por que esta tremenda falta de simpatia por tudo e por todos? Por que não consigo me importar com alguma coisa qualquer que seja? Por que não consigo pôr cobro ao projetos que inicio a empreender? Por que todo o circo de horrores quando horror nenhum em verdade existe? Por que ser assim tão complicado? Desejaria que estas coisas fossem substancialmente mais simples, mas vejo que, em pedindo isto, somente estou, mais uma vez, tentando evitar o idôneo esforço que dá mate à sempiterna fome e faz com que tudo tenha mais graça se, porventura, vier a ser completado. Mas dize-me, é demasiado difícil alcançar esta tão almejada plenitude que, a muitos que por aí vejo, parece estar sempre agarrada aos ombros lhes servindo de alfaia? Por que este silêncio abissal que a mim mesmo retorna as perguntas que a ti faço? Por que estou a perder meu tempo endereçando a ti estas indagações todas? Por que gasto meu fôlego rearranjando sentenças e as dirigindo a um ser pelo qual não nutro o mínimo de consideração e nem sequer reconheço como ser existente? Bem, deixando de tolices, talvez as respostas não estejam em ti nem muito menos sejam elas tu; não poderei te as atribuir como graças alcançadas, serviços prestados ou preces atendidas, assim como tu não mas poderás dar, mas elas, sim, são e estão nestas coisas e pessoas que aí se mostram tão próximas, das quais eu me ponho a milhas de distância e me conservo, inutilmente, impenetrável. Por fim, chego à mais que óbvia e, para alguém como eu, inútil conclusão de que, concluir que o problema sou eu é o mesmo que dar mostras de o não querer resolver. Todos nós somos problemas; a solução são os outros, não? Para ser franco, eu mesmo não creio na minha própria premissa.
jun. 2011.
jun. 2011.
terça-feira, 28 de junho de 2011
N'importe quoi sur n'importe qui
Notre amitié, c'est un prototype de ce que jamais aura lieu
Les souvenirs meurent toujours avec l'aide du temps,
Parce que le temps détruit tout. Le temps détruit tout.
Et je reste ici en faisant les choses que je fais toujours...
Ni bien, ni mal. Ni mieux, ni pire.
Il y a des chose plus intéressantes pour toi.
Il y a des choses plus intéressantes pour moi.
Oui, j'suis sûr.
Il n'y a pas des surprises, il n'ya pas d'émotions fortes...
Il n'y a pas d'eau froide, il n'y a pas de désespoir,
Juste mes yeux qui voient le monde d'obscurité et de mediocrité
Juste mes yeux qui voient le monde d'imbecilité et de pauvreté
Juste mes yeux qui voient les haricots du dîner
Mai je ne me plains pas de la mêmeté
Je ne me plains pas de notre pauvre amitié
Restons ici.
28-06-11
Les souvenirs meurent toujours avec l'aide du temps,
Parce que le temps détruit tout. Le temps détruit tout.
Et je reste ici en faisant les choses que je fais toujours...
Ni bien, ni mal. Ni mieux, ni pire.
Il y a des chose plus intéressantes pour toi.
Il y a des choses plus intéressantes pour moi.
Oui, j'suis sûr.
Il n'y a pas des surprises, il n'ya pas d'émotions fortes...
Il n'y a pas d'eau froide, il n'y a pas de désespoir,
Juste mes yeux qui voient le monde d'obscurité et de mediocrité
Juste mes yeux qui voient le monde d'imbecilité et de pauvreté
Juste mes yeux qui voient les haricots du dîner
Mai je ne me plains pas de la mêmeté
Je ne me plains pas de notre pauvre amitié
Restons ici.
28-06-11
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Ao Jazigo
Levo o tempo que aqui já me leva
Onde lanço estas cartas, acaso.
Meu pensar é minguado, vão, raso...
E a história, em contar, não se eleva.
Me contento com não contentar-me,
Me conformo, por melhor dizer.
Não mereço o que faz merecer
e me dou ao prazer de afeitar-me
com as rosas e os louros do idílio,
com o mofo e o bolor de um exílio
(o sepulcro onde vão sepultar-me).
27-06-11
Onde lanço estas cartas, acaso.
Meu pensar é minguado, vão, raso...
E a história, em contar, não se eleva.
Me contento com não contentar-me,
Me conformo, por melhor dizer.
Não mereço o que faz merecer
e me dou ao prazer de afeitar-me
com as rosas e os louros do idílio,
com o mofo e o bolor de um exílio
(o sepulcro onde vão sepultar-me).
27-06-11
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Trabalho de Sísifo
Então este é o paraíso
digo, a permanência
digo, o romantismo
digo, a deliquescência
e sua vida curta
quando disto o mundo está farto
pois todos já o ouviram
e tenho todos cá comigo
é um trabalho de sísifo.
Ah, minha pedra rolante
que no cume da montanha
- a causa seu prório peso -
rola de volta me esmagando
qual insecto no piso imundo
e tudo, mais uma vez, há de ser recomeçado
Assim são as coisas no inferno
Desde o lugar onde começa
segue para eternamente recomeçar
eternamente fracassar...
O fracasso me fascina.
E a forma onde fica? Ora...
exploda-se a forma!
O ser livre é o que agora me interessa.
Não ter que fazer isto ou aquilo,
não mais me interessa esta pedra a qual rolo
todos os dias até o topo da montanha.
Sou o sísipho, sou o sísifo, só o sysipho!
(hei de um dia ser algo mais)
mas serei somente meu
in extremis deixarei o paganismo
- mas somente in extremis -
Pois morto não farei mais parte dele.
e o inferno será por mim deixado para trás
Sou mais que os deuses todos
Sou mais que este inferno
mas não sou mais que ninguém
que é semelhante a mim mesmo.
Meu iguais, irritantes pessoas.
Sou somente mais que as lendas
Por que as destruo e aniquilo
de dentro de mim mesmo. As varro...
E sou livre!
Não mais estou no inferno...
Produto de obsessões é este mundo
Esta estrutura alienável
De inalienáveis proporções
Me quedo rabiscando as paredes
recriando uma imagem que tremeluz
por um minuto em minha mente
a pedra parou de rolar
a montanha pode já ser aplainada
o inferno arrefece como um prato de ervilhas
leixado à mercê das correntes de ar
Ao sopro do zéphyro
Suave zéphiro
Agradabilíssimo zéfiro...
E eu, Sísifo, posso agora
Ter o vislumbre de minha própria ignorância
E lamentar o que já foi
e o tempo que perdi
Ao mesmo tempo que deixo escapar
Um longo suspiro de alívio
Estou descansado e livre da pedra
Que rola montanha abaixo.
Me sinto muito mal estando livre
E ainda pior me sinto então
Estando preso a um coisa qualquer
Não me sinto bem não importa como
Sempre mal me sentirei
Já sinto saudades do inferno...
digo, a permanência
digo, o romantismo
digo, a deliquescência
e sua vida curta
quando disto o mundo está farto
pois todos já o ouviram
e tenho todos cá comigo
é um trabalho de sísifo.
Ah, minha pedra rolante
que no cume da montanha
- a causa seu prório peso -
rola de volta me esmagando
qual insecto no piso imundo
e tudo, mais uma vez, há de ser recomeçado
Assim são as coisas no inferno
Desde o lugar onde começa
segue para eternamente recomeçar
eternamente fracassar...
O fracasso me fascina.
E a forma onde fica? Ora...
exploda-se a forma!
O ser livre é o que agora me interessa.
Não ter que fazer isto ou aquilo,
não mais me interessa esta pedra a qual rolo
todos os dias até o topo da montanha.
Sou o sísipho, sou o sísifo, só o sysipho!
(hei de um dia ser algo mais)
mas serei somente meu
in extremis deixarei o paganismo
- mas somente in extremis -
Pois morto não farei mais parte dele.
e o inferno será por mim deixado para trás
Sou mais que os deuses todos
Sou mais que este inferno
mas não sou mais que ninguém
que é semelhante a mim mesmo.
Meu iguais, irritantes pessoas.
Sou somente mais que as lendas
Por que as destruo e aniquilo
de dentro de mim mesmo. As varro...
E sou livre!
Não mais estou no inferno...
Produto de obsessões é este mundo
Esta estrutura alienável
De inalienáveis proporções
Me quedo rabiscando as paredes
recriando uma imagem que tremeluz
por um minuto em minha mente
a pedra parou de rolar
a montanha pode já ser aplainada
o inferno arrefece como um prato de ervilhas
leixado à mercê das correntes de ar
Ao sopro do zéphyro
Suave zéphiro
Agradabilíssimo zéfiro...
E eu, Sísifo, posso agora
Ter o vislumbre de minha própria ignorância
E lamentar o que já foi
e o tempo que perdi
Ao mesmo tempo que deixo escapar
Um longo suspiro de alívio
Estou descansado e livre da pedra
Que rola montanha abaixo.
Me sinto muito mal estando livre
E ainda pior me sinto então
Estando preso a um coisa qualquer
Não me sinto bem não importa como
Sempre mal me sentirei
Já sinto saudades do inferno...
domingo, 19 de junho de 2011
O eu
É um erro crasso desta vida
É substrato, é interstício
É beneplácito e suplício
Não haver volta havendo ida.
Despropósito, despérdício
Um mau projeto. Pouco caso.
São estas coisas por acaso?
Em todo caso, são indício.
Não há planos, não há metas
Não há sendas ou caminhos
Sem decoro e sem alinho
Não há curvas nem há retas.
Mas sou, estou - aqui e agora
E vivo a vida, o vão presente
Espelho e espalho, displicente
Cada minuto e cada hora.
Não ensaio e não planejo
Não desejo, não decoro
Os eus, os mins, os ais devoro.
E espero então qualquer ensejo
De ser quem sou - e assim sendo
Tu, que és quem és, pois, me suporta!
Se te incomodas, que m'importa?
Indiferente é o meu momento.
É substrato, é interstício
É beneplácito e suplício
Não haver volta havendo ida.
Despropósito, despérdício
Um mau projeto. Pouco caso.
São estas coisas por acaso?
Em todo caso, são indício.
Não há planos, não há metas
Não há sendas ou caminhos
Sem decoro e sem alinho
Não há curvas nem há retas.
Mas sou, estou - aqui e agora
E vivo a vida, o vão presente
Espelho e espalho, displicente
Cada minuto e cada hora.
Não ensaio e não planejo
Não desejo, não decoro
Os eus, os mins, os ais devoro.
E espero então qualquer ensejo
De ser quem sou - e assim sendo
Tu, que és quem és, pois, me suporta!
Se te incomodas, que m'importa?
Indiferente é o meu momento.
Das Palavras
As palavras nada valem
Nada vale quem as diz
Muito menos quem desdiz
Quem não diz também não vale
Nada que elas representem...
As palavras muito mentem
Dizem tudo o que não quis
eu dizer, mas já hei dito,
conspurcando o que era puro.
Instalamos um conflito
construindo assim um muro
derrubado e construído
por palavras e murmúrios.
04-06-11
segunda-feira, 13 de junho de 2011
O orto-heterônimo
Eu sou um livro de poemas
prefaciado por mim mesmo
em forma de heterônimo
- a psyche desta psyche -
e luto pelo direito
de não ser eu quem sou de facto
de não ser eu o meu ortônimo
de abstrair-me de mim mesmo
de ser um ser que sou eu sendo
outro ser que não sou eu
sendo assim ser diferente
que é adverso pelo avesso
que produz e cria um mundo
dentro e dentre mundos vastos
dentro d'outro vasto mundo
universos paralelos
de um parnaso organoléptico
heterocíclico...
hetereonímico...
heterônimo.
13-06-11
prefaciado por mim mesmo
em forma de heterônimo
- a psyche desta psyche -
e luto pelo direito
de não ser eu quem sou de facto
de não ser eu o meu ortônimo
de abstrair-me de mim mesmo
de ser um ser que sou eu sendo
outro ser que não sou eu
sendo assim ser diferente
que é adverso pelo avesso
que produz e cria um mundo
dentro e dentre mundos vastos
dentro d'outro vasto mundo
universos paralelos
de um parnaso organoléptico
heterocíclico...
hetereonímico...
heterônimo.
13-06-11
Entre nós este silêncio
Entre nós este silêncio...
Entre nós este silêncio
não é lá tão ruim como se pensa.
É quase como não saber o que dizer
É quase como já não mais ser parte,
nem tomar parte...
De mim tudo isto parte,
e a ninguém chega
porque nada parte.
Entre nós um grosso nada
entre nós este silêncio
este silêncio, um grande nada.
13-06-11
Entre nós este silêncio
não é lá tão ruim como se pensa.
É quase como não saber o que dizer
É quase como já não mais ser parte,
nem tomar parte...
De mim tudo isto parte,
e a ninguém chega
porque nada parte.
Entre nós um grosso nada
entre nós este silêncio
este silêncio, um grande nada.
13-06-11
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Coisas Por Demais
Há muito neste mundo.
Há coisas por demais.
Muitas sacolas plásticas,
muitos rapazes ociosos,
há curiosos por detrás das frestas,
e pessoas que morrem numa língua a qual não falam,
a qual domina e impregna maldosamente os puros romances.
Tão idiota ela é,
tão tola,
tão...
Pobres meninos internados,
pobres ameixas enlatadas,
pobres poetas que escrevem prosa,
sobre prosa...
Há gente por demais nesse mundo,
Há bicicletas azuis com nomes de sabão,
há homens que amam pedras,
há condições sine qua non,
há poeira nos rótulos da porta,
Formigas,
seringas,
giz...
Manchas escuras na pele envelhecida,
gatos caolhos que se entrelaçam em minhas pernas,
pobres viciados que empenham panelas,
pobres cordelistas que cantam na feira,
pobres poetas que escrevem divagações
sobre divagar...
Pobre Camões que morreu na miséria...
09-06-11
Há coisas por demais.
Muitas sacolas plásticas,
muitos rapazes ociosos,
há curiosos por detrás das frestas,
e pessoas que morrem numa língua a qual não falam,
a qual domina e impregna maldosamente os puros romances.
Tão idiota ela é,
tão tola,
tão...
Pobres meninos internados,
pobres ameixas enlatadas,
pobres poetas que escrevem prosa,
sobre prosa...
Há gente por demais nesse mundo,
Há bicicletas azuis com nomes de sabão,
há homens que amam pedras,
há condições sine qua non,
há poeira nos rótulos da porta,
Formigas,
seringas,
giz...
Manchas escuras na pele envelhecida,
gatos caolhos que se entrelaçam em minhas pernas,
pobres viciados que empenham panelas,
pobres cordelistas que cantam na feira,
pobres poetas que escrevem divagações
sobre divagar...
Pobre Camões que morreu na miséria...
09-06-11
Soneto ao Galhardo Tilbúrio
Belo Tilbúrio que nunca eu hei visto
Lavei em tua margem meu corpo cansado
Que nunca tocou tuas águas no estado
Que agora ele está, já muito malquisto...
Galhardo Tilbúrio de águas extensas
Muito eu queria bebê-las, senti-las,
Com elas benzer este mundo e fruí-las
Até alcançarem almas mais densas.
Lavá-las até mais nada sobrar
Das coisas ruins e o mundo enxaguar
E não mais restar um simples murmúrio.
Criei-te tão longo e pus-te a correr
O mais majestoso rio a nascer
Da imaginação, galhardo Tilbúrio.
9-06-11
Lavei em tua margem meu corpo cansado
Que nunca tocou tuas águas no estado
Que agora ele está, já muito malquisto...
Galhardo Tilbúrio de águas extensas
Muito eu queria bebê-las, senti-las,
Com elas benzer este mundo e fruí-las
Até alcançarem almas mais densas.
Lavá-las até mais nada sobrar
Das coisas ruins e o mundo enxaguar
E não mais restar um simples murmúrio.
Criei-te tão longo e pus-te a correr
O mais majestoso rio a nascer
Da imaginação, galhardo Tilbúrio.
9-06-11
terça-feira, 7 de junho de 2011
Dos grãos e Restolhos
E cato agora os mesmos grãos
Coço os olhos e bocejo
Tudo como antes eu fazia
Sendo bendito por quem não me diz
E bem falado por quem não me fala
Dando de comer a estes casos pensados
E os restolhos?
Eles restam,
E apenas restam...
Sempre resta algo, não é?
domingo, 5 de junho de 2011
Wild Horses e Pudim
Rolling Stones é mesmo muito chato...
Mas ao som de Wild Horses as palavras deste poema
Me saem bem tristes mas resignadas
Ou apenas me saem, talvez tu não me creias.
Não convivo com o que escrevo, Drummond me perdoe.
Não convivo com quem me escreve. Perdoa-me, moça.
É que não sou dado a convivências ou abraços
Mas abraço essas palavras que nunca fogem
Interprete-as mesmo que não façam sentido
Não enxugarei as lágrimas fingidas
Nem disfarçarei o alívio de não mais me preocupar
Antes serei o mesmo idiota de sempre
Sozinho a catar os mesmos grãos
Mas desta feita com uma diferença:
Houve uma graceless lady
A qual eu não faço questão de lutar ou conquistar
É que eu desisto muito fácil...
Talvez eu nem a ame...
Mas ao som de Wild Horses as palavras deste poema
Me saem bem tristes mas resignadas
Ou apenas me saem, talvez tu não me creias.
Não convivo com o que escrevo, Drummond me perdoe.
Não convivo com quem me escreve. Perdoa-me, moça.
É que não sou dado a convivências ou abraços
Mas abraço essas palavras que nunca fogem
Interprete-as mesmo que não façam sentido
Não enxugarei as lágrimas fingidas
Nem disfarçarei o alívio de não mais me preocupar
Antes serei o mesmo idiota de sempre
Sozinho a catar os mesmos grãos
Mas desta feita com uma diferença:
Houve uma graceless lady
A qual eu não faço questão de lutar ou conquistar
É que eu desisto muito fácil...
Talvez eu nem a ame...
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